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O estúdio Trigger não é nada comum. Com apenas 6 anos de atuação por aqui, sua primeira série de TV, Kill la Kill, foi um grande sucesso, estabelecendo rapidamente sua reputação de artistas talentosos com um amor livre dos modelos comuns e cultura pop que referencia várias obras. Outra grande série original do estúdio, a aventura em fantasia Little Witch Academia, fez sua estreia na TV em 2017 e revelou um lado mais gentil para o estúdio. Eles também fizeram curtas surreais de comédia como Inferno Cop, Ninja Slayer e Space Patrol Luluco; adaptaram a light novel Inou-Battle wa Nichijou-kei no Naka de e ainda trabalharam com a escritora Mari Okada (Ano Hana) em Kiznaiver. Nesta temporada de Janeiro 2018 estão coproduzindo com a A-1 Pictures a série original de mechas Darling in the Franxx – então vamos falar um pouco da trajetória geral do estúdio com suas produções.




O estúdio Trigger surgiu a partir de uma equipe criativa que, antes do estúdio existir, encontrava-se no já póstumo estúdio GainaxEm 2006, co-fundador e criador de Evangelion - Hideaki Anno - deixou o estúdio. Isto criou a oportunidade para uma nova geração de artistas, que criou a famosa e retro série mecha Tengen Toppa Gurren Lagann. Foi a primeira série de TV do diretor Hiroyuki Imaishi, até então um respeitado animador que trabalhou anos com Hideaki Anno.
Tengen Toppa Gurren Lagann
Imaishi aprendeu muito com Anno, mas seu estilo era sempre mais extravagante, superviolento e sensual do que o de seu mentor. Isso fica evidenciado na verdadeira expressão de diretor em seu OVA Dead Leaves que é totalmente maluco. Depois do grande sucesso de Gurren Lagann, a equipe de Imaishi se moveu para a série Panty & Stocking with Garterbelt, uma irrelevante comédia similar e mais atrevida que a “meninas superpoderosas”. Não muito depois, Imaishi abandou a Gainax pra co-fundar o estúdio Trigger, trazendo muita da equipe de Gurren Lagann e Panty & Stocking com ele.

O primeiro projeto da Trigger foi claramente uma demonstração de vontade por coisas excêntricas; Inferno Cop é uma série de comédia com 4 minutos por episódio animada por uma pequena equipe e publicada no Youtube. É o tipo de anime que só poderia ser feito  pelas mãos (no caso, pela supervisão) do Imaishi. Nenhum outro estúdio, nem mesmo o Gainax, teria dado a menor chance a isso.

Os criadores de Inferno Cop não eram pessoas quaisquer, a propósito. Eram alguns dos criadores com maior credibilidade do estúdio: Akira Amemiya aprendiz de Imashi, o designer Shigeto Koyama (Heroman), e o ilustre Hiromi Wakabayashi (Panty & Stocking). Koyama e Wakabayashi são as bases das convenções de animes dos EUA, onde eles servem como monumentos vivos em retratar o espírito da Trigger. Na Anime Expo 2017, por exemplo, a dupla estava atirando notas de dinheiro da Trigger na audiência com uma arma de plástico. Quando Koyama e Wakabayashi falaram sobre Inferno Cop, os olhos dos fãs brilharam. Mesmo que aquelas notas não pagassem contas, eram um símbolo do estúdio.
Os animes da Trigger são marcados em geral por personagens mais que realistas, design impressionantes e fora do comum, além da própria comédia peculiar. A animação não tem limites para exagerar, e tratando-se de estupidez a Trigger parece ter um entendimento único de como fazer isso, seja no anime de ação Kill la Kill ou na série de antigas magias Little Witch Academia. E quando series como Inferno Cop e Luluco não possuem recursos para uma animação viva e mais fluída, então eles são criativos o suficiente para transcender seus próprios limites. Outros estúdios podem focar mais em uma boa arte (animação), mas a Trigger procura, além disso, entreterem-se com as produções.

Muitos deles são grandes otakus também, e eles parecem felizes quando falam dos mangás, anime e filmes favorito deles. Imaishi, Koyama e Wakabayashi são fãs de super-heróis, e um dos designs mais marcantes deles em Kill la Kill nasceu do Homem Aranha e Homem De FerroLuluco é a tentativa imprudente de construir um “Universo cinematográfico da Trigger” conectado todas as franquias dela. Little Witch Academia mostra o amor por animação ocidental do diretor Yoh Yoshinari com seu estilo de cartoon que lembra até mesmo clássicos da Disney. O animador de LWA Takafumi Hori é um grande fã de Steven Universe e até já trabalhou em um episódio da série. Muitas das mesas no estúdio estão lotadas de action figures e brinquedos; a mesa do Amemiya tem tantas coisas que fica a dúvida de como ele consegue desenhar alguma coisa com tão pouco espaço.
Sim, isso é da Trigger...
A desvantagem desta paixão é que as adaptações e parcerias do estúdio muitas das vezes parecem como algo pouco relevante. Como quando Inou-Battle wa Nichijou-kei no Naka de foi adaptado em anime, a série ganhou algumas referências da Trigger mas nada além dissoEm Ninja Slayer, Amemiya tentou fazer algo como uma mistura de elementos de Inferno Cop e Kill la Kill, e acabou sendo bem diferente do esperado. Kiznaiver é tecnicamente um original, e tem bons designs e animação, mas possui o roteiro dramático e sem objetivo de Mari Okada. Quando esse projeto foi animado, a maior parte dos veteranos estavam trabalhando em Space Patrol Luluco, deixando os novatos animarem Kiznaiver. Mesmo Darling in the Franxx parece uma versão lite da Trigger. O anime é dirigido e co-escrito pelo pupila da Gainax, Atsushi Nishigori, com designs mechas do Koyama e direção de ação do próprio Imaishi, mas além das metáforas sexuais nada sutis de uma diretora de episódio que trabalhou com o humor sexual de Panty & Stocking, os primeiros episódios ficaram presos ao material de robô gigante padrão com um drama no desenvolvimento dos personagens principais do elenco e nada muito além disso.

Darling in the Franxx era um dos três projetos anunciados na Anime Expo 2017. O segundo era o SSSS.Gridman, a uma demonstração de amor as séries Tokusatus de 1994 pelo super fã do gênero Akira Amemiya. O terceiro era Promare, próxima série de Imaishi que contará muito com a equipe de Kill la Kill e Gurren Lagann. Os fãs estão aguardando esperançosamente por isso. Em uma indústria obcecada por adaptações das últimas light novels e games lançadas, os fãs caíram completamente nas duas séries originais e no reboot do padrão esquecido de super-heróis. Isso deve ser porque existe algo de especial que vem de artistas que amam o que eles fazem com esse estilo. Muito dos animadores japoneses trabalham em condições horríveis e em projetos condenados, mais na Trigger há um bando de loucos fazendo cartoons que eles querem ver,  aproveitando cada segundo disto. 

Trigger é um novo e capaz estúdio que não tem trabalhos o suficiente, mas vamos falar sobre alguns de suas produções mais notórias e que chamam bem atenção, como relatado no artigo da ANN do qual esse post se inspirou:

Sex & Violence with Machspeed

A equipe daTtrigger tinha dito que não gostaria de fazer uma sequência de Kill la Kill, mas já deixaram claro a vontade de fazer uma continuação de Panty & Stocking, Infelizmente os direitos da obra estão com a Gainax, mas isto não impediu Imaishi de criar um sucessor espiritual da série: Sex & Violence With Machspeed. O curta, serie parte das pequenas animações da Khara (estúdio criado por Hideaki Anno quando saiu da Gainax, que ainda mantém contato com o pessoal da Trigger que uma vez já trabalhou junto deles antigamente) na Animator Expo, é a mais clara marca da expressão de Imaishi junto do já citado OVA Dead Leaves. Imagine algo parecido com o Hulk (super-herói favorito de Imaishi), uma perseguição em alta velocidade, e uma boneca inflável falastrona chamada... Sex. Esse curta é um tanto difícil de ser achado, mas é possível encontrá-lo em inglês em sites como o nyaa. 


Inferno Cop

Todos os episódios da série são vulgares, conteúdo sem limites e non sense escrito por um bando de otakus aficionados por super-heróis em 15 minutos, e produzido por movimentos de desenhos recortados contra fundos de foto-colagem. Mas esse estilo de fluxo-de-consciência é exatamente o que faz tudo imprevisível. Inferno Cop lança um bebê no rio, se transforma em um carro de corrida, volta no tempo, e até confronta Deus com altas referências a Evangelion, tudo em cerca de 40 minutos. Fãs de Pop Team Epic, este é o anime bizarro de comédia grotesca original. 

Kill la Kill

A primeira série da Trigger ainda é considerada pela maioria como a melhor (e forte candidata à uma das mais absurdamente malucas). Kill la Kill inicia como uma estória de uma jovem delinquente briguenta com estudante rivais que transforma tudo isto em algo muito maior. Os personagens com suas roupas superpoderosas, descobrem uma grande conspiração da moda e lutam em todos os lugares das salas de aula aos navios de guerra no espaço. Kill la Kill leva cada clichê velho de anime ao seu extremo lógico, fazendo com que um arco do torneio seja novidade. Enquanto isso, o roteirista de Gurren Lagann, Kazuki Nakashima, novamente assume uma premissa absurda e compromete-se com tanta vontade que acaba se tornado algo verídico. Sim, existe muita nudez e mais ainda ângulos sensuais dos corpos femininos, mas no show com uma sociedade secreta de gêneros-misturados chamada Nudist Beach, é complicado se irritar com alguma coisa.

Space Patrol Luluco

É uma brilhante estória de amor intergaláctica, mas Space Patrol Luluco é também dirigido pelo Hiroyuki Imaishi. E isso significa que personagens se transformam em armas, mandados de prisão por “furtos espaciais”, e possui um ritmo de comédia alucinante. A busca do herói pelo espaço à fora leva eles para uma série de planetas baseados em Kill la Kill, Little Witch Academia, e até mesmo Sex & Violence, enquanto Ninja Slayer e Kiznaiver têm pequenas aparições. Deve-se dizer que o chefe Overjustice parece com um certo personagem bem familiar... Luluco é descaradamente auto-congratulatório, terrivelmente divertido, e surpreendentemente emocionante.

Kiznaiver

A série com um teor mais dramático e uma construção de mundo um tanto duvidável mostra o lado diferenciado da Trigger quando chama Mari Okada para trabalhar junto. Seu drama é funcional, e mais melancólico do que se esperava, trabalha com uma boa animação de jovens animadores, além do design cartoonesco quase característico. Review completa aqui.


Little Witch Academia

Little Witch Academia é dirigido pelo extraordinário animador Yoh Yoshinari, assim é algo distante do caos sem limites do Imaishi. A franquia que é composta por dois filmes curtos e uma série de TV, é bastante inspirada no entretenimento Family Ocidental, garantido um apelo diferente dos seus animes modernos. Os personagens – jovem bruxas em treinamento na escola mágica britânica (não é Hogwarts) – são todas cativantes e divertidas, e trazer elas a vida são alguns dos melhores trabalhos da talentosa animação na trigger. Os movimentos humanos são ágeis e vibrantes, e os efeitos tem uma energia turbulenta e viva nelas que chama a atenção para a magia da própria animação. Review completa aqui.

OBS - Essa matéria é uma adaptação traduzida de um artigo do ANN sobre o assunto.

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