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[C]: Money of the Soulanálise [C]: Money of the SoulAnálise de AnimesAnimes Underground com Diferentes Estilos Artísticosresenharesenha crítica

Animes de Estilos Artísticos Únicos #5 [C]: Money of the Soul


C: The Money of Soul and Possibility Control é um anime original da Tatsunoko Production, lançado na temporada de Primavera em 2011 e exibido no bloco NoitaminA. 

Open Deal
Na história, o governo japonês foi resgatado da beira do colapso financeiro pelo Fundo de Riqueza Soberana. Para os seus cidadãos, no entanto, a vida não melhorou; desemprego, criminalidade, suicídio e desespero são enormes. Kimimaro, criado pela avó materna após o desaparecimento de seu pai e a morte de sua mãe, é um estudante de bolsa, cujo único sonho é viver uma vida estável e comum. Um dia ele encontra um homem que lhe oferece uma grande soma de dinheiro se ele permitir que seu "futuro" seja uma garantia. A partir de então seu destino é radicalmente alterado quando o garoto é arrastado para um reino misterioso conhecido como Distrito Financeiro, onde ele deve competir em torneios semanais chamado "Deals" ou "Assets" de forma a manter seu dinheiro e evitar a perda de seu futuro.
A direção é do Kenji Nakamura, reconhecido pelo seu excelente trabalho em Mononoke e Kuuchuu Buranko. O diretor sabe trabalhar com animes relativamente curtos, mas aqui ele parece ter dificuldade em manter um bom ritmo narrativo para lidar com a quantidade de informação que o roteiro exigia, acelerando cada vez mais as cenas do anime e com cortes demasiados. Apesar de muito abaixo da expectativa imposta devido ao seu histórico, sua direção ainda se destaca com seus enquadramentos nada econômicos e empolgantes cenas de ação. 

Alias, Money Soul é um anime que lembra muito Persona, tanto em seu Mundo Paralelo, quanto na arma humanoide materializada de acordo com o interior do personagem. No Caso, as Assets representam o futuro e algumas possuem personalidade própria (levando em conta que outras são praticamente formas geométricas e objetos). Porém, o diferencial para com os animes que seguem esse gênero de batalha é o fato das lutas serem realmente empolgantes. Há muito movimento e um constante senso de perigo que permanece, alem do show pirotécnico e épico da personagem Msyu. No entanto, há uma parte aqui e ali um pouco confusa nas lutas e as mesmas são curtas as vezes; ao menos, as mais importantes tiveram um maior destaque.



E claro, esse anime não está nesta lista atoa e sim porque possui uma arte bem interessante. Apesar de conter uma animação que utiliza CGI em vários elementos, até mesmo em personagens em algumas vezes, não é um 3D feio, há uma boa texturização para que esses elementos não fiquem desencaixados. Parte desse fator pode ser creditado aos cenários também, que são muito surreais e abusam dos contrastes entre o vermelho e o dourado que parecem combinar com tudo que é posto em cena. 
A paleta de cores varia de acordo com a ocasião. No distrito financeiro ela é quente e bastante saturada, já no mundo real os cenários urbanos são bem representados por tons cinzas e ocasiões noturnas ou obscuras a paleta muda para cores frias, usando muito bem as sombras. E claro, é de se esperar de um bom diretor um uso significativo das cores, citando novamente os contrastes, temos o convidativo vermelho e dourado que simbolizam o poder e a riqueza, mas também o cinza que mostra uma realidade depressiva e vazia,

Entre os destaques visuais, o Character Design foi um dos pontos que mais me agradou. É bonito e vária bastante as características faciais de cada personagem tornando-os facilmente identificáveis e lembráveis.



Entretanto, apesar de fisicamente bem feitos, os personagens sofrem com a curta duração que o anime tem em relação a um roteiro com um mundo grande e cheio de ramificações. O próprio protagonista é um personagem que parece estar em aberto para desenvolvimento, mas há uma indecisão sobre o que fazer com ele. Inicialmente ele demonstra ter alguns conflitos em relação à falta de dinheiro e o desejo de impressionar a garota que gosta (ao menos levar pra sair), porém à partir do segundo episódio seus conflitos são jogados de lado para que se torne o bom moço salvador da pátria. 



Em contrapartida, Mikuni é um personagem misterioso, mas ao longo do caminho vai sendo revelado informações sobre ele e apesar de também ser um pouco afetado pelo ritmo, Mikuni é mais completo e o ponto central da trama. Fora esses dois, há alguns outros personagens que deveriam ter uma atenção melhor, a Msyu e a Jennifer por exemplo, contudo há também aqueles que servem perfeitamente ao propósito como os agentes do distrito financeiro, Masakaki e o motorista, que exalam excentricidade e mistério. 
[C], de forma ilustrativa, pode ser comparado com o desenho de uma suposta árvore. No entanto, esta árvore teve apenas o seu tronco desenhado, pois o artista não desenhou os galhos. De mesma forma, o roteiro tem sua base colocada no anime, porém muita informação importante ficou de fora. Um exemplo sem entrar muito em spoiler: Há um personagem no anime que não aparece, mas que deixa implícito sua influência nos acontecimentos do anime, eventos do passado e sua forte ligação com o protagonista.

Apesar de calejado por um roteiro comprimido, uma de suas características mais interessantes está no conceito utilizado para construir seu mundo. O Distrito Financeiro é quase como uma bolsa de valores ilegal, que introduz dinheiro sujo ao mundo real e se não for controlado a emissão desse dinheiro, a moeda do país onde deste Distrito perde o valor e a economia despenca, levando o país à falência. Ou seja, cada país contém seu próprio distrito financeiro e a queda de um, pode atingir os países vizinhos. Todo o conceito é bem trabalhado a cada episódio, assim como seu clímax. Ainda assim não deixa de ser um anime de batalhas e o final só pode ser resolvido desta maneira, não deixando de ser divertida no final das contas.
[C]: Money of the Soul não é um anime perfeito, claro, e possui seus problemas bem visíveis. Mas também não é um anime chato, cada episódio puxa o próximo e seu ritmo acelerado acaba sendo positivo para quem estiver cansado ou sem vontade de ver algo que parece demorado. Alias, os 11 episódios passam voando e se o lado conceitual não é chamativo, ainda vale a pena pela ação e principalmente por seu belo visual.

Direção: 6.5/10
Roteiro: 4.5/10
Animação: 5/10
Trilha Sonora: 8.8/10
Entretenimento: 8.3/10

Nota Final: 6.75/10
***

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