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Kino no Tabi #6 | Análise Semanal



Tento ser franco em minhas análises, eu não esperava que Kino no Tabi the Animation, pudesse um dia pudesse apresentar algo pior que seu quarto episodio. E para minha enorme surpresa eles conseguiram, o episódio sexto dessa serie se destaca como o pior episódio de anime que eu já vi em toda a temporada. Sim ele conseguiu ser pior do que Black Clover. Pretendo apresentar meus motivos para esse veredito nessa análise.

Para começar o maior problema desse episódio é bem aparente bem em seu início. A comunidade que estamos explorando, a de mercadores viajantes, que adotam escravidão, consiste apenas numa caricatura, de vilões extremamente exagerados e unidimensionais, com apenas uma exceção. Nele vivenciamos uma situação de uma jovem escrava nessa comunidade, e ela basicamente consiste de todos os membros desse pais utilizando todas as chances possíveis para agredi-la tanto fisicamente, quanto verbalmente e até conjunto de crenças que caracterizam sua religião.

Essa situação chega ao ridículo, em que uma das crianças desse povo, pede para comprar esta escrava, pois pretende esquarteja-la, tortura-la e matá-la da forma mais dolorosa possível para se provar valoroso, e todos os habitantes dessa comunidade o elogiam pela corajosa postura. Esse constante abuso é insuportável de se assistir, ele nunca leva a qualquer reconhecimento sobre os lados mais sombrios da alma humana, nunca releva qualquer camadas e elementos da psique dos seus perpetuadores, apenas esta aqui para fazer a audiência se sentir péssima com a brutalidade sendo exibida. O que nisso pelo menos ele obteve sucesso, eu me senti péssimo por ter que assistir isso, parabéns aos envolvidos.


Com toda essa violência contra um escravo ocorrendo, seria natural imaginar que esse episódio pelo menos contem comentário sobre escravidão como instituição. Mas não percebo nada realmente relevante em relação a isso no episódio. Ele dá dicas que as pessoas nessa sociedade não percebem escravos como seres humanos, ou pelo menos seres humanos com direitos e capacidade iguais a eles.

Há também alguns resquícios de ideologias das pessoas dessa comunidade, como o fato da ser uma questão do destino, essas pessoas não nasceram destinadas para serem livres, e algum comentários sobre eles serem mais individualistas, e reconhecerem a desigualdade e maldade do mundo como naturais, que teoricamente justificariam a escravidão nesse pais, tudo sendo muito vago e mal se voltando para a questão da escravidão em si.

O verdadeiro desse episódio parece estar em apresentar um debate sobre a verdadeira natureza desse mundo e de seus habitantes, se ele se qualifica num lugar horrível, onde assassinatos violência e traições ocorrem naturalmente, sendo essa a visão apresenta pelos viajantes, ou um lugar maravilhoso cheio de pessoas extremamente altruístas, bondosas que se recusam a odiar qualquer um e preferem morrer a agredir os outros, representada pela ideologia que a garota escrava piamente acredita.

O episódio parece achar uma boa ideia para discutir a moralidade e natureza do mundo inteiro, que cada lado represente um extremo ridículo e idealizado o mais maniqueísta possível, as pessoas desse povo são caricaturalmente ruins e representam o lado feio do mundo, a garota escrava é a pessoa mais bondosa e moralmente irrepreensível possível. 

Um jeito genial de debater conceitos tão sutis e de difícil definição como a moralidade. Compreensivelmente o episódio busca desconstruir as duas visões, um dos escravocratas se mostra como uma ótima pessoa que acaba tirando a própria vida se recusando a matar a garota escrava, ela mesma se vê traindo sua moralidade absoluta, ao se ver desejando a morte dos seus donos de escravos ao vê-los ingerindo sopa que devido a planta que eles usavam estava envenenada.

A conclusão final é que nenhum desses dois pressupostos que buscam explicar a realidade representam a totalidade do universo, e é apenas vivendo que o indivíduo pode vir a tentar compreender algo tão complexo. Basicamente o grande comentário desse episódio é que moralidade, é algo de difícil definição, o mundo não pode ser definido simplesmente como bom ou mal, existem nuances em cada ação e pais, a verdade está em algum local no meio entre esses dois extremos.

O que é a ideia mais simples e básica que qualquer pessoa que já pensou 2 minutos sobre o tema pode alcançar e que o episódio está tratando como uma brilhante ideia sobre a realidade humana. O pior é que esse tema está perto de ser o único tema geral e recorrente da série, a dualidade entre a feiura e beleza do mundo, a história sobrepondo os aspectos sombrios e ruins aos aspectos belos e alegres em todo episódio, essa vontade conhecer e observar ambas essas partes unicamente importantes que formam a totalidade, servindo como uma motivação que move Kino nessas viagens. O resultado é que o tema mais importante e recorrente da série, acaba recebendo um tratamento pífio e ridículo, no episódio unicamente voltado a desenvolve-lo.


Não é como se para melhorar a explorar sobre moralidade desse episódio fosse necessário modificar muitas coisas. Um simples observador neutro, poderia comentar os acertos e erros das duas versões extremas de moralidade sendo apresentadas, como ele reagiria a cada um dos pressupostos que as duas seguem, daria uma melhor visão do panorama geral das duas, do que simplesmente ter personagens percebendo alguns erros das ideias mais generalizantes do universo.

Esse episódio realmente sofre pela ausência de nosso personagem principal Kino, que passou de uma personagem passiva que não faz muito, a quase uma não entidade sem qualquer relevância. Nesse episódio tirando algumas cenas que não agregam absolutamente nada a história ela não aparece. Em uma história com ideologias extremistas em debate, ter um personagem como ela e Hermes fazendo comentário e reagindo a eventos ajudaria a história a funcionar muito melhor, o que torna ainda mais absurda a ideia de esse ter sido escolhido como o episódio em que eles mal aparecem.


Quanto ao resto do episódio não há muito para se comentar. Existe uma ideia de não confiar fielmente no que os outros dizem, que eu não faço ideia de porque foi incluída, ou o que isso deveria acrescentar na história. Também não percebo muita a razão da história ser estruturada de forma a seguir eventos da vida da garota escrava, photo.

Tudo o que ocorre a ela depois da morte de seus captores e de seu metafórico renascimento o que ocorre no episódio não parece ter qualquer relação com o conteúdo e ideias do episódio. E não é como se essas cenas foram incluídas, para apresentar qualquer conclusão ou novos elementos ao arco da personagem, elas parecem estar estranhamente incluídas só para mostrar que ela continuou vivendo e superou suas dificuldades.

O que a presença de outra motorrad incluída apenas em seu final soma ao conteúdo do episódio também é questionável, além de dar um discurso motivacional para Photo continuar vivendo. Talvez a ideia aqui fosse criar uma analogia com Kino e Hermes, mas tal não funciona, o momento em que eles estão vivenciando seu encontro e começo de sua jornada são algo que nunca presenciamos como ocorreu entre Kino e Hermes para se comparar, então em suma não temos nada para comparar, além do fato das duas serem garotas partindo em jornadas com motorrad.


Não considero esse episódio particularmente bem feito em nenhum aspecto. Elementos que tornam a série de Kino interessante como a variedade temática foram ou parcamente utilizados como eu demonstrei em minha avaliação extensa das ideias do episódio, ou simplesmente ausentes como a variedade cenários criativos, a história aqui consiste basicamente de um grupo de viajantes morrendo por ingerir plantas envenenadas.

No geral se a série manter a qualidade dos últimos episódios não posso imaginar como ela poderia se comparar, ou ter o nível de importância da série anterior de Kino, que é universalmente reconhecida como um clássico.


Avaliação: ★   ★ ★

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