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Devilman: Crybaby (2018) | Review


 |Episódios: 10 | Estúdio: Science SARU Fonte: Mangá Diretor: Masaaki Yuasa Diretora de Som: Eriko Kimura|

Sinopse
O protagonista, Akira Fudo, aprende com o seu melhor amigo Ryo Asuka, que uma raça de demônios voltou para dominar o mundo dos humanos. Ryo diz à Akira que para derrotar os demônios é necessário incorporar seus poderes sobrenaturais e sugere que ele se unisse com um demônio. Akira consegue se transformar em Devilman, que possui os poderes de um demônio e a alma/coração de um humano. A batalha de Devilman e Akira Fudo começa.

Análise
Eu realmente adoro como Yusha nunca fica na mediocridade, ou na sombra do que ele fez no passado. Ele está sempre disposto a assumir riscos que a maioria não faria, tentado criar o melhor que pode naquilo que lhe é dado. Masaaki Yuasa é um dos maiores diretores vivos, ele é um gênio, e todos nós temos a sorte de tê-lo. 
Devilman: Crybaby é uma releitura do manga Devilman de 1972, que teve um anime no mesmo ano. Não sendo preciso assistir o anime antigo ou ler o mangá para ver esta  nova série.  

Crybaby gira em torno da amizade de Akira, nosso protagonista, e seu melhor amigo de infância Ryo. Akira é apenas um garoto gentil e normal do ensino médio. Nos primeiros episódios já avistamos de onde vem o "Crybaby": Akira é uma boa pessoa, que chora pelos outros mais do que por ele mesmo, e essa construção do personagem é de suma importância para toda a obra. Em linhas gerais, muitos dos três primeiros episódios tratam de criar este mundo de demônios, e explorar as mudanças que Akira sofre quando se torna um Devilman. 



Devilman é uma franquia muito célebre por deleitar se na violência sexual, e foi entregue para um diretor com um estilo de assinatura sempre fascinanteresultado dessa junção é uma conquista visceralmente artística, e diferente de qualquer outra coisa a ser exibida nesta temporada.

Desde as aquarelas de derretimento até a composição dramaticamente da infância do Akira, com ele em um penhasco, tudo é uma orgulhosa e linda alegoriaCada sequência principal parece ser construída em torno de uma ideia central fenomenal, por exemplo: uma cena no primeiro episódio dependia inteiramente apenas de faróis de caros para evocar a forma de um carro durante a noite, enquanto em outra cena o crepúsculo é representado através de sua paleta de tema amarelo unificado e a personagem ao fundo (Miki) contornada de forma diferente.  

O trabalho de Go Nagai foi muito a frente do tempo, com uma estética carregada de sangue, repleta de sexo, drogas e todos os outros tópicos transgressivos disponíveis. Não sendo para todo o publico, mas Yuasa consegue transferir isso da melhor forma possível, talvez até agrandando um público que inicialmente não se interessaria pelo material original. 



O clímax longo e sangrento que o anime apresenta no primeiro episódio foi bem interessante em termos de estilos de animação misturados, mas em termos de conteúdo foi fraco. Já que ele mantem a ausência de algum forte centro emocional ou finalidade temática do material original. Porém, os clímaces posteriores são muito mais interessantes, uma vez que apresentam justamente esse centro emocional (como no caso do episodio 5).  As habilidades de Yuasa são muito melhores aplicadas em materiais com uma forte finalidade temática. 

O enredo não fica totalmente para traz do visual. A narrativa como um todo da obra é extremamente gostosa com um ritmo sólido ao longo de toda a história, alcançando seu auge nos últimos 3 episódios. É quando Crybaby decide deturpar totalmente os humanos, virando eles do avesso e os apresentando como os reais demônios. É uma coisa puramente maniqueísta, mas é muito fascinante. 


O que significa ser humano? O que significa ser bom
E a forma como a obra brinca com os clichês é excepcional; fazendo questão de matar seus personagens da forma mais anticlimático possível, evitando de seu protagonista herói salvar qualquer um deles. É de uma poesia trágica gigantesca. 


Esta adaptação respeita a narrativa do mangá trazendo também algumas escolhas arriscadas, que se destacam por conta própria. 

A história é mais ou menos a mesma. Esta adaptação consegue pegar o cerne da história, transportando todos os aspectos do que fez o original bom. E ainda mantendo os momentos icônicos do mangá.  É uma excelente adaptação, que consegue modernizar a obra e usar essa atualização para aumentar a historia. 
  
Crybaby faz várias referências ao antigo anime, desde tocar a abertura original, até os frames que mostram o design antigo. São muito eficazes essas sacadas que o anime dá para referenciar o clássico de 72. 



Avaliações:

*Direção: A direção é de uma genialidade gigantesca, que consegue transcender o convencional. É uma direção que esbanja criatividade, a todo momento o diretor aparece com alguma composição extremamente diferente da anterior e com seu próprio enquadramento dramática. Dês  das escolhas de cores até as expressões dos personagens tudo é muito bem escolhido e bem executado. Nota: 9.5 (Excelente/Obra-prima)  

*Roteiro:  Os clímaces iniciais têm alguns leves problemas em traçar seu centro dramático, mas depois a obra consegue se acertar bem. É muito bem amarrado o roteiro, e a historia é contada no seu tempo adequado sem pressa ou preguiça. Diálogos carregadas de significados poéticos, que são naturais e fluidos, e por vezes que são propositalmente bregas.  Nota: 8 (Otimo)

*Produção Visual: Devilman: Crybaby é um bufê visual completo, acumulado de composições dramaticamente carregadas de idéias criativas. Me senti quase que sobrecarregado com as suas recompensas visuais. Nota: 10 (Obra-prima)

*Soundtrack: Uma batida anos 70 completamente empolgante. Tiveram o cuidado de fazer a ost principal com a opening do anime antigo; isso deu um pouco do espirito dos anos 70 para este remake, sem ser carreta ou destoar do resto. É um fan service muito bem feito, não sendo nada gratuito. Nota: 8 (Ótimo)

*Entretenimento: 9 (Excelente)

*Impacto Emocional: 8.5 (Ótimo)



Conclusão:

Devilman: Crybaby é uma experiencia visceral e imensamente original. O estilo único de Masaaki Yuasa é a coisa mais dissonante e cativante em Crybaby; antes de qualquer enredo ou personagens o que fala mais alto é o estilo único deste diretor. As paletas de cores e iluminações  extremamente expressivos que ele coloca produzem um efeito hipnotizante, surreal, e horripilante em todo o tom da obra. 

O anime começa de forma desleixada em seu script, com personagens e relações um pouco nebulosos e incertos, mas ele consegue se ajeitar perfeitamente encontrando seu rumo. É deixado bem claro que o foco deste remake não vai ser nos arcos dos outros Devilman, a historia é sobre Akira e acima dele sobre a humanidade monstruosa que vive a volta dele. É bem visível como Yuasa só não voou mais longe por conta das limitações de seu material, mas ele foi ao limite de onde se poderia ir com esta serie.  

Devilman: Crybaby é uma pérola, com personagens de camadas que tem seu começo meio e fim bem definidos. Essa série consegue manter estruturalmente tudo que o material original é, adicionando coisas novas que acrescentam e crescem a historia. O final não só entregou toda a construção da obra até ali, como foi fiel com seus personagens e seus ideais, explorando tematicamente seus personagens até o fim. Yuasa é de fato o maior diretor em atividade na industria, e essa obra consegue mostrar sua genialidade de forma pontual.   




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