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Violet Evergarden (2018) - Falsa Beleza | Review

 |Episódios: 13 | Estúdio: Kyoto Animation Fonte: Light novel Diretor: Taichi Ishidate (Kyoukai no KanataCompositoras: Minori Chihara (Suzumiya Haruhi) e Miho Karasawa (Hibike! Euphonium) Character Design: Akiko Takase (Criador original


Esse show entra em uma categoria de animes que "seu valor depende até onde você tenta dissecar ele". Se você simplesmente assistir, provavelmente vai gostar ou até amar, mas estou aqui para ir ao limite de onde nosso zoom analítico alcança (mais especificamente o meu). Violet Evergarden parece o equivalente em anime da isca de Oscar. É grande e arrebatador, tentando desesperadamente convencê-lo de que sua história sentimental realmente significa algo, mas é basicamente superficial e inteiramente enfeitado. Tudo o que realmente importa, a carne da história - seus personagens, seus temas, suas idéias - são tão básicos que realmente puxam a apresentação visual para baixo. Você está desperdiçando essa arte incrivelmente detalhada nesta história. Por quê?

Vamos explicar a premissa da historia para começarmos? 
Uma pessoa usada como um instrumento de guerra tentando encontrar maneiras de reavivar sua humanidade perdida. Uma garota disciplinada em rigoroso decoro militar. Um fantoche com suas cordas soltas, sem saber o que fazer com sua nova liberdade. Ela é uma criança perdida, esquecida pela sociedade, forçada a começar do zero. Um resquício de uma nação devastada cuja utilidade é levada a uma encruzilhada. A história termina com o fechamento de um capítulo, quando começamos a jornada de outro. Uma jornada de recuperação. Esforços feitos para alguém que sequer existe mais. Uma pessoa que servirá como sua força motriz para a melhoria, bem como a fonte de sua dor quando ela se aproxima das respostas que procura.

Até recentemente, suas ações eram as de uma lâmina, embainhada, aguardando o momento em que sua utilidade fosse necessária novamente. Um instrumento de morte sempre que seu portador achar adequado. Mas seu novo trabalho muda isso. Ela deve escrever para os outros como uma "automata de auto memorias", uma profissão onde ela é encarregada de transcrever os sentimentos e pensamentos de outros, dando voz àqueles que têm dificuldade em fazê-lo por conta própria. Um trabalho onde os sentimentos registrados são capturados em uma carta. Uma chance para uma garota emocionalmente raquítica aprender quais são os seus próprios sentimentos. Uma "boneca" querendo se tornar um ser humano, quando na verdade o ato de querer se tornar um é o que mais a aproxima da humanidade. 

Pareceu realmente carnuda essa personagem e historia? Provavelmente, e é isso que uma escrita mais "enfeitada" faz. Deixa um fraco conteúdo parecendo maior do que de fato é.  Se enfeites em volta de algo minusculo é o que é preciso para te encantar, então Violet Evergarden pode lhe servir. 

No entanto, se você deseja um conteúdo igualmente merecedor das palavras usadas para descrevê-lo, então talvez essa não seja a melhor obra para seu paladar; sendo esta uma obra "hiper-estilizado coisa insignificante" - palavras floridas trocadas por antecipação audiovisual. Cores em camadas e character designs "bonitos" suplementados em lugar de dicção adequada: Muita cobertura, pouco bolo.

A própria obra fornece argumentos para as pessoas que tentam expressar porque Evergarden tem um "bom conteúdo". O simples ato de explicar a premissa básica (como fiz acima) de Evergarden já faz o trabalho para eles.


Exceto pelo fato de que quando o conteúdo é levantado das páginas de seu roteiro e trazido à vida pela magia da animação, é tão flácido quanto a informação diegética (realidade própria da narrativa) o faria acreditar ao seguir uma personagem de tal crescimento social atrofiado. É um show perfeito para pensar demais, perfeito para negar qualquer pessimismo, onde os problemas são defendidos como "é para ser assim". Assunto criado para facilitar uma personagem monótono fazendo as coisas de uma forma monótona. Uma garota mecânica com membros mecânicos, encarregada de imitar a empatia. Sua personalidade afetada, muitas vezes de madeira, é explicada por sua criação. "Ela é assim porque é feita para ser assim". É tudo muito egoísta.

Mas mesmo essa logica de "ela é assim porque é feita para ser assim", existe meios viáveis ​​para contornar. Mas é aqui onde o conhecimento substitui esses argumentos. Onde a experiência de alguém pode permitir que a crítica se mantenha. Este não é o primeiro anime a abrigar esses temas. E daqueles que o fizeram antes, há exemplos definitivos de "melhor" por aí, não permitindo a aceitação aberta do comportamento de madeira da Violet, apenas pelo fato de que as circunstâncias dadas pela personagem o permitem


Os humanos não são tão planos. Permitir tais avaliações simplistas em vez de detectar problemas genuínos é banalizar completamente as complexidades da raça humana. Nós já sabemos como seria inviável para uma pessoa apática funcionar sem o rígido regimento da vida paramilitar que tal pessoa já seguiu um dia, porque vimos isso feito com um pedigree de escrita condizente com o assunto sério. Pessoas que carregam a bagagem de suas ações, as memórias assombrosas das coisas que viram, incapazes de deixar ir, permitir-se totalmente ser integrado na sociedade. Nós sabemos como isso se parece porque personalidades bem desenvolvidas como a major Motoko Kusanagi de Ghost in the Shell existem. Scar de Fullmetal Alchemist existe. 

Essas questões são visíveis pela grande conquista de Violet Evergarden. Arte e animação cristalinas que acabam destacando o fino verniz de seu valor real. Tudo e todos que são feitos são lindos. Idade, circunstâncias, genética: nada disso importa. Tudo é lindo. Sei que isso pode soar como uma qualidade, mas vamos com calma.

Você morre lindamente. Você fica com raiva lindamente. Você é espancado com estilo. Até as lágrimas são entregues com fluxos como se fossem pequenas bolas de cristal, com os rostos dos donos olhando diretamente para a câmera (à todo momento). Todos neste mundo são modelos de passarela, tendo a chance de interpretar civis. O realismo se tornou implausível quando todos os habitantes parecem que deveriam estar em uma sessação de fotos posando para alguma revista ou folheto de moda. E ainda qualquer tentativa de realismo é colocada de lado quando vislumbres de batalhas são retratadas com sequências de luta mais parecidas com um shounen.

Batalhas em Evergarden: Um lugar onde até mesmo o sombrio resultado da guerra deve ser realizado com um senso poética, tudo feito para apaziguar a visão de um diretor muito ocupado com sua busca por uma sensibilidade estética específica para deixar o conteúdo falar por si. Conteúdo que efetivamente fica no caminho de sua própria visão, porque nunca é concedida a chance de respirar.
Evergarden faz uma emulação de luz natural que visa Kimi no Na wa, mas de uma forma que não leva à nada. Como um anime pode sofrer de superexposição está além de mim. O show mostra que quando você emula sem entender, os problemas são copiados também. Fotografia com lapso de tempo usada em todos os episódios, não para qualquer outro fim que não seja exibir. Os efeitos de desfoque de lente são usados ​​para flashbacks mas também no presente, não porque haja uma razão, mas porque o diretor pode e quis. Tudo está a serviço dessa """perfeição""". Essa tentativa muito antinatural de ser "natural" é totalmente autodestrutiva de suas intenções.

O silêncio é poderoso. Tocar música em todas as cenas é amador. Palavras afogadas por cordas arrancadas, as notas firmemente tocadas de um violino, teclas de piano feitas com a mesma rapidez; tudo isso sem preocupação com o que os personagens estão dizendo. Diálogos inteiros, onde o silêncio é apropriado, são lavados por uma parede de som. O som não complementa o material; ele sequestra o material. Há um tempo e um lugar para tudo, e esse anime nunca chegou a perceber esse fato. Pode ser que o conteúdo seja abafado antes que alguém perceba o que há de bom, mas, a esse respeito, Violet Evergarden não é sem mérito.

Nossa protagonista pode ser uma embarcação vazia com os reflexos da humanidade dentro dela, mas felizmente não somos feitos reféns por sua presença, já que cada capítulo de Evergarden está a serviço de outro personagem. Pessoas de muito maior interesse do que a Violet.

E como um vaso, Violet tem a chance de fretar as emoções de seus clientes para aqueles que estão recebendo a afeição expressa e, por meio dessa tarefa, é capaz de encontrar uma maneira de expor seus próprios sentimentos em troca. O amplo espectro de emoções acumuladas servindo para ela encontrar o seu próprio. A ideia em si é muito apropriada. Eu chegaria até a dizer que é atencioso. Ele também opera com um ritmo, "lento", condizente com o assunto, mesmo que esse ritmo seja considerado um problema para alguns. Essas coisas precisam de tempo para acontecer. Felizmente, Violet está bem alocado nesse quesito.

A história da Violet é em homenagem a uma flor silvestre; ela é arrancada da custódia de um homem sem coração e sob os cuidados de alguém que enxerga além de sua forma reduzida. Uma bagunça desgrenhada, tratada apenas como uma ferramenta, uma destinada a ser usada e depois descartada; o homem vê de maneira diferente. Ele quer seu melhor a qualquer custo, mesmo que isso signifique pagar o preço final.
Conclusão 
Há uma beleza aqui quando você vê as intenções por de trás de cada capítulo. O problema decorre da própria execução. Bonito no papel não se traduz bem feito na realidade. Engraçado, e até mesmo irônico, que a natureza de boneca da protagonista e suas tentativas iniciais de escrever servem como uma espécie de meta-comentário para o conteúdo em exibição: Sua intenção é sincera, ela quer entender as expressões e sentimentos sendo direcionados à sua maneira, mas, assim como seus membros mecânicos, o espetáculo é escrito com um senso de artificialidade.

Violet Evergarden como um todo era um trabalho muito bem feito visualmente, mas faltava consideravelmente nas partes mais importantes. Embora, de fato, tenha sido bastante popular e sensacionalista, acho que esse show não terá um valor duradouro por muito tempo. Quando surgir algo com maior valor de produção rapidamente esse espetáculo sera levado pelo vento nomeado tempo. Mesmo as “sakugas” não são tão fascinantes porque, no fim, está a serviço de nada. 

Uma emulação da vida real que não pode ser mais do que isso. Violet Evergarden é uma bela rosa de plástico com gotas de água presas. Está bem guardada e segura. Nunca encontrando a beleza em decadência. Nunca precisando aceitar todo o espectro da vida, simplesmente porque seus criadores estão totalmente contentes em serem "perfeitos". A verdadeira beleza é encontrada nas manchas. A verdadeira beleza vem da majestade da própria vida. A verdadeira beleza é humilhante. É através das imperfeições que a verdadeira beleza é emitida. A verdadeira beleza não está em personagens bonitos, lagrimas perfeitas, em musicas dramáticas, em cores contrantes, em desenhos complexos, em águas cristalinas. Violet Evergarden é bonito de se ver, mas com a ausência desse entendimento, nunca poderia ser o que tanto tenta ser, nunca poderia ser a coisa real, nunca poderia ser "a verdadeira beleza".

Direção: (Fraco)
Roteiro: (Mediano)
Produção visual: 8 (Ótimo
Trilha Sonora: (Fraco)
Entretenimento: (Mediano)

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